Nota do Editor

Um jogo simplório, mas bem trabalhado. Peca em alguns aspectos in-game e na história. A sonoplastia na franquia pokémon nunca foi excepcional, porém Pokémon Ruby e Sapphire continuam sendo ótimos jogos para se ter o primeiro contato com o GBA e com o continente de Hoenn.

7.5
Gráficos
7.5
Jogabilidade
6.5
História
7
Diversão
5.5
Som

Resolvi começar as reviews pelos primeiros jogos de Pokémon que já joguei. Não só tenho cada pedaço do mapa dessas duas versões decorados na minha cabeça, como já devo ter jogado cada um deles mais de 4 vezes. Lançados no Japão em Novembro de 2002 e para o resto do mundo no ano seguinte, Pokémon Ruby e Sapphire são os primeiros jogos da franquia pokémon no formato GBA (Game Boy Advance), e juntos são os jogos de GBA mais vendidos da história. Eles ganharam remakes para a plataforma 3DS em Novembro de 2014: Omega Ruby e Alpha Sapphire.

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Ruby e Sapphire têm suas histórias focadas no continente de Hoenn. Esses foram também os primeiros jogos da franquia a se passarem nessa região. A história do jogo continua no mesmo estilo dos jogos que foram feitos para Game Boy e Game Boy Color, mas isso não é exatamente um problema, considerando o fato de que a franquia pokémon sempre fez sucesso com seus jogos simples de histórias lineares – quebrar esse padrão seria ousado e fugiria da receita de sucesso que funciona até os dias de hoje. Os gráficos evoluíram bastante, principalmente na questão de cores e animações.

Infelizmente não podemos ficar presos no passado para sempre. Devemos admitir que os jogos possuem gráficos um tanto quanto simplórios, mas nada que comprometa o jogo como um todo. O sistema de sprites é quase um clássico da franquia até hoje, apesar de que em R/S eles são estáticos, algo que foi melhorado em Pokemon Emerald, mas eu falarei mais sobre a superioridade da versão Emerald mais adiante.

Os gráficos são até muito bem trabalhados para ser um jogo de GBA e os cenários foram bem construídos – mesmo quando você chega aos limites externos do mapa ainda é possível ver um pouco de cenário, e não aquele fundo preto que mostra que jogo acaba ali (e olha que eu já encontrei esse defeito em jogos muito mais avançados que GBA). Não espere ver um gráfico lindo de Playstation, mas é perfeitamente agradável.

O jogo em si possui uma jogabilidade bem simples, e isso eu acho genial na franquia pokémon. É até um pouco assustador como um RPG tão simplório como pokémon consegue fazer tanto sucesso sem apostar em uma jogabilidade completamente diferenciada ou que possua diferentes tipos de jogabilidades dentro do mesmo jogo.

Em R/S você se desloca no eixo vertical e horizontal e acessa diferentes menus. Esse jogo não exige mais que isso do seu cérebro, nem há sequer um deslocamento nas diagonais. Apesar dessa simplicidade “física” (controles físicos do jogo) que fez tanto sucesso, a jogabilidade “não-física” – o in-game de R/S – não é uma das melhores da franquia pokémon. Faltou um pouco de estudo pela parte dos produtores quanto a progressão do jogo.

Basicamente estou dizendo que é um teste de paciência treinar seus pokémons em R/S. No primeiro ginásio é recomendável no mínimo um level 15-16 para seus pokémons para se passar com tranquilidade, e fazer isso com pokémons nos matinhos que não superam o level 8 se torna um pouco complicado.

GBA

Não reclamaria dessa dificuldade se isso ocorresse apenas no primeiro ginásio. Já no segundo ginásio, é recomendável aumentar os níveis dos seus pokémons para 18-20 para se passar com relativa tranquilidade – e o único local com pokémons acima do level 8 é uma caverna. Como treinar seu pokémon voador ou psíquico em uma caverna cheia de pokémons rocha e metálicos? Sem contar que o maior level que você encontrará por lá é o 12.

Esse problema se repete durante o jogo. Não há muitos treinadores e nem eles possuem leveis mais altos para compensar essa “fraqueza” dos matinhos. Você não cansará se não treinar todos até um level de segurança – que seria acima do pokémon mais forte dos líderes de ginásio -, mas quando precisar enfrentar a Elite 4 provavelmente sentirá que seus pokémons deveriam estar bem mais fortes.

Aqui vem outra má notícia: a Victory Road de R/S também não possui vários treinadores, e os pokémons estarão no máximo no level 44 (ou 45 usando a Super Rod), então não ache que você pode usá-la facilmente para treinar. Para a sorte de R/S, esse problema de progressão não é único dessas versões, ele persiste em todos os outros jogos de GBA da franquia principal.

Aqui cabe mais um ponto negativo na jogabilidade de R/S: a bolsa não possui grandes espaços, nem em número total por item – limitando-se a 99 -, nem em número total de itens diferentes, algo que foi resolvido em jogos futuros da franquia. Não é necessariamente um grande ponto negativo, quase não afeta a nota geral no quesito da jogabilidade, mas é importante ressaltá-lo, já que é um tanto quanto frustrante ter que voltar ao centro pokémon para depositar itens no computador quando esquecemos de fazer isso e a mochila já está cheia.

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A História de R/S é outro ponto a ser visto com cuidado. No papel, a história é muito boa, mas teve algum tipo de confusão quando foram passar para a prática. Pokémon Emerald acabou se tornando a redenção para o que aconteceu em R/S. É plausível o fato de a equipe Aqua/Magma ser a vilã dependendo da versão que você joga, mas porque a equipe oposta ocupa um papel de mocinha? Todos sabemos que ambas as equipes possuem objetivos que trariam o caos ao mundo pokémon, apenas com objetivos opostos, e não simplesmente uma equipe “do bem” e outra “do mal”.

Essa confusão foi resolvida em Pokémon Emerald, onde você tem que derrotar ambas as equipes. Em R/S a história ficou um tanto quanto ilógica, e na minha opinião, é a pior franquia de pokémon no quesito história. O que eu senti foi “uma falta de um pouco de tudo”. Em Pokémon Emerald há mais eventos pós-elite 4, mais locais para se explorar, mais cavernas, mais lendários, mais eventos, enfim. Se não fossem por poucos pokémons como, por exemplo, Surskit, que não é disponível em Emerald, não haveria uma real razão para se jogar R/S quanto a história.

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Quanto a sua diversão jogando? Garantida. Não encontrei até hoje nenhum jogo de pokémon em que não me diverti. Por mais que não possua uma progressão tão boa, uma história relativamente incoerente, e a falta de alguns atrativos extras, o jogo não deixa de ser divertido de se jogar. Entretanto, seria muito ilógico dizer que é um dos mais divertidos considerando os defeitos apontados até agora, você se divertirá sim, mas será uma diversão bem curta, não há muita coisa para se tentar fazer após passar a Elite 4.

O nosso último quesito é o som. Sinceramente, esse é um defeito da franquia pokémon.

Eu não gosto da trilha sonora de pokémon, principalmente os barulhinhos após cada fala. POR QUE TANTOS “BIPs”??? Não poderiam fazer apenas algo melódico e deixar no fundo, mudar quando a batalha for importante e de cidade pra cidade? Tem que ter mesmo aqueles malditos bips toda vez que vc aperta a tecla A para prosseguir um diálogo?

Nas franquias mais recentes conseguiram me tirar do sério com aquela música de fundo quando o HP do seu pokémon está no vermelho. Eu simplesmente odeio aquela música, odeio do fundo do coração.

Nunca entendi também porque sempre tivemos que ouvir barulhos metalizados como “sons” dos pokémons. Não acho que seria agradável ficar ouvindo ele repetir o próprio nome infinitamente (apesar de que seria mais coerente com o que o anime apresenta). Mas se for para representá-los mais próximos de animais, como é feito nos jogos, que colocassem ao menos barulhos menos metalizados. E sem contar que alguns deles são absolutamente insuportáveis de se ouvir (vide: Zubat, Dunsparce, Loudred…).

Dunsparce_(anime_SO)Loudred

As músicas de fundo são até agradáveis, apesar de que não todas. O aspecto sonoro da franquia fica melhor com o passar das gerações, mas ainda tem muito o que crescer e melhorar no meu ponto de vista. Definitivamente o jogo vai ficar com uma mancha sangrenta na nota nesse ponto, mas não é insuportável de ouvir, é mais uma opinião minha. Como disse antes, algumas são sim bastante agradáveis, e eles mantiveram as músicas que são especiais de alguns momentos: como lendários, líderes de ginásios ou de líderes das equipes vilãs.

Bem, vamos ao veredito final então:

Gráficos: São gráficos simples, mas não podemos condená-los. Foram feitos em um aparelho que limitava bastante esse ponto, e ainda assim são muito bem trabalhados e nítidos. Até alguns detalhes como o seu reflexo tremido na água foram levados em consideração. Não é nada que faça sangrar os olhos ou que o faça chorar de emoção. Em telas maiores veríamos os píxels quadrados sem muito esforço.

Jogabilidade: Simplória e eficiente, mas peca em alguns aspectos in-game, principalmente na progressão do jogo. Não é ruim, mas poderia ser melhor, sem sombra de dúvidas.

História: Relativamente confusa se você parar para pensar, mas ela funciona muito bem dentro do enredo do jogo. Não deixa espaços sem explicação, e ela segue um roteiro interessante, que “quebra” a linearidade do jogo. Definitivamente é um pouco ilógica, mas perdoável.

Diversão: Você vai se “divertir” procurando Surskits e Chimecos. Rezando para todos os Deuses do universo para encontrar um Feebas na rota 119. Perseguindo Latios/Latias. Aprendendo a controlar a Mach Bike para passar por pisos quebrados e lamas nas paredes. Sofrendo para chegar no último andar do Sky Pillar apenas para tentar capturar um Rayquaza praticamente imune a Ultra Balls (vá com várias Ultra Balls, muitas mesmo). Você vai explorar bem o continente de Hoenn, mas fora isso você não terá muito o que fazer, faltou um pouco de conteúdo pós-elites.

Som: Não é de todo agradável. A franquia nunca apresentou grandes feitos sonoros. Apesar de músicas clássicas como a da cidade de Lavander nos primeiros jogos, se você for analisar, não é nada tão excepcional. Os bips me irritam bastante, mas para um aparelho tão limitado quanto o GBA, criar todas essas músicas ainda é um feito a ser considerável.

Gostaria de lembrar que reviews contém as ideias dos seus respectivos autores, e que por isso você não é obrigado a concordar com tudo que foi dito, mas espero que ela tenha lhe ajudado a ter uma ideia geral sobre o jogo analisado aqui. Obrigado por ler, deixe seu comentário, sua opinião é importante para nós!