Nota do Editor

Nostalgia, nostalgia e mais nostalgia. Fire Red e Leaf Green foram criados em cima de um mar de nostagia - e não decepcionaram seus fãs. Os Remakes da primeira geração trazem todo o espírito dos primeiros jogos de volta à tona com muita qualidade. Infelizmente eles não buscaram ver a luz do Sol - ficaram muito presos às sombras de seus pais.

7.8
Gráficos
8
Jogabilidade
8
História
8
Diversão
6
Som

Lançados em 29 de Janeiro de 2004, no Japão, Pokémon Fire Red & Leaf Green são juntos o segundo lugar no ranking de jogos de GBA mais vendidos da história, perdendo apenas para seus companheiros Ruby/Sapphire. Eles são remakes dos seus respectivos jogos da primeira geração: Red e Green (Blue foi basicamente o mesmo jogo que Red e Green, apenas com algumas pequenas alterações).

Pokemon-Red-and-Green

Pokémon Fire Red (FR) e Leaf Green (LG) vieram para matar a saudade dos fãs, isso é fato. Esse tipo de fã service é aquele que nenhum fã reclama (inclusive, podem fazer mais), e FR/LG cumpriram isso com maestria – mas limitados pelo que o aparelho podia oferecer. Não irei julgar esse fator como algo condenável, afinal, o GBA era algo avançado para a época, mas o tempo passa e não podemos ignorar as limitações das tecnologias passadas.

Os gráficos de FR/LG estão no mesmo nível de Ruby/Sapphire. Ainda não sei o porquê de a tecnologia dos sprites animados também não ter sido usada aqui, por mais que FR/LG tenham sido lançados antes de Pokémon Emerald, esse recurso já havia sido usado em Pokémon Crystal, num aparelho até mais limitado que o GBA. Todo o cuidado com o cenário continua existindo e houve bastante preocupação em trazer para o jogador toda a atmosfera de Kanto que ele viu nos primeiros jogos da franquia, o que foi especialmente muito bem feito.

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A jogabilidade de FR/LG é bem superior à de Emerald e R/S. O começo do jogo apresenta problemas de progressão horríveis, de sangrar os olhos. Um rival logo na segunda cidade já com 2 pokémons no level 9 e 10 respectivamente quando você acabou de chegar no 7 com o seu inicial e provavelmente um Pidgey/Rattata nos leveis 3 ou 4. Quem gosta de começar com Charmander sabe que não é tão fácil a vida para treinar para o primeiro ginásio. Mas esse problema vai sendo resolvido durante o jogo, e vai sendo resolvido com bastante elegância até, você mal nota.

Não é de se espantar que isso se deva a uma história bem elaborada. A meu ver, um jogo não precisa ser lindo, ter uma infinidade de controles e modos de jogo: ele precisa ter uma história legal. Se você acha que isso não é mais que suficiente, só olhar para o número de vendas de R/S e FR/LG no seu tempo e olhar para a quantidade de controles e modos de jogo que eles oferecem.

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Com certeza não é a melhor história da franquia, inclusive me atrevo a dizer que é a mais sem graça. As equipes Aqua e Magma em Hoenn formam uma trama muito mais cativante, mas em R/S conseguem parecer patéticas. Emerald vem e conserta erros nessa história, e ainda assim a Equipe Rocket e seus planos de dominar o mundo em FR/LG parecem muito mais legais se comparada à destruição mundial que aconteceria em Hoenn. Isso só é possível porque a trama nesses jogos acabou sendo muito mais bem construída do que a de Hoenn.

Por algum motivo o jogo se torna mais divertido do que o que aparenta ser. Talvez a nostalgia de se estar voltando a Kanto, talvez a trama  bem elaborada gere uma nova ideia do jogo para quem está com os dedos nos controles, não sei explicar ao certo. Emerald se tornou mais divertido que R/S por trazer mais conteúdo para o jogador, principalmente no pós Elite 4, mas isso não acontece tanto em FR/LG, não existem tantos locais a serem explorados.

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Calma, eu sei que existem as Sevii Islands, a Safari Zone que é particularmente muito legal (inclusive mais legal que em alguns jogos futuros), a caça aos Unown (nas Sevii Islands), a Cerulean Cave (eu adoro aquela caverna), mas é um conteúdo simples, simples até demais: o maior labirinto do jogo é o ginásio da Sabrina (como pode um ginásio ser tão chato de se chegar no líder…). Há realmente alguma mágica por trás de FR/LG que eu não sei explicar, mas talvez você me entenda um pouco quando jogar (ou não, sei lá).

sevii islands

Eu realmente tenho um pequeno ódio pelos sons da franquia pokémon, especialmente nos jogos mais antigos onde a qualidade era ainda pior. BIPs, sons metalizados… Mas FR/LG explorou muito bem o aspecto de remake nesse ponto, e trouxe de volta os sons que marcaram os primeiros jogos de pokémon e os jogadores, fazendo a experiência sonora do jogo ser bem menos sofrida (especialmente pra mim), apesar de continuar não sendo muito agradável.

Sem mais enrolação, vamos ao veredito:

Gráficos: 

Jogabilidade: É aqui onde a mágica acontece. Movimentos simples, menus… A simplicidade do jogo é a mesma que marca os jogos da franquia, e a progressão do jogo é bem melhor que a dos seus irmãos no continente de Hoenn. Mesmo ao final do jogo é possível encontrar níveis altos e treinadores fortes, e até mesmo desafios inesperadamente difíceis, como a Cerulean Cave. Sempre pode ser melhor, principalmente no começo do jogo, mas fez muito bem para aquilo que ofereceu.

História: A melhor da franquia dos jogos principais de GBA, ao meu ver – não no sentido da trama em si, mas da construção dela dentro do jogo como um todo. A Equipe Rocket não fornece muito subsídio para elaborar uma trama que prenda a atenção do jogador de forma mais intensa, mas esse problema foi muito bem trabalhado. O enredo é muito bem construído, e a equipe vilã aparece durante todo o jogo, sempre causando algum problema que está relacionado à história central do jogo.

Diversão: O jogo é bastante divertido. Apesar de não trazer um pós game cativante, resumindo-se a alguns novos locais para se explorar, o jogo é suficientemente bom durante seu decorrer. É construído em cima de uma trama bem elaborada, o que torna até coisas simples muito mais divertidas e gratificantes. O efeito da nostalgia cai muito aqui, tornando a experiência de jogo algo muito mais interessante do que o que se imagina.

Som: Apesar de explorar bem o fato de serem remakes de jogos absolutamente marcantes da franquia – os primeiros -, continua deixando a desejar na qualidade, com muitos barulhinhos irritantes, apesar de, como qualquer outro jogo, possuir sim algumas melodias interessantes e que dão outra visão para o cenário (tente imaginar a cidade de Lavender sem aquela música de fundo).

Gostaria de lembrar que as reviews contém as ideias dos seus respectivos autores, e que por isso você não é obrigado a concordar com tudo que foi dito. Espero que ela tenha lhe ajudado a ter uma ideia geral sobre o jogo analisado aqui. Obrigado por ler, deixe um comentário, sua opinião é importante para nós!

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